Manhãs, parece que não couberam no nome deste espaço. Esta parecia de outrora, de outra hora, o fumo da água teimava em prender-se aos talos das arvores, os pássaros trocavam de roupa, na testa surgiam faróis de ver e ser visto, entrecortados com as folhas esvoaçavam na ânsia do que não se via ... a luz. Foi birra de sábado, levantou-se mais tarde que estava frio e não lhe apetecia destapar-se, botija nos pés, gorro até às orelhas, percorria os caminhos dos lençois, as arvores de braços estendidos até ao seu regaço, de nada lhes valia, no esconde esconde, vultos desenhavam-se ao redor dos troncos, calças curtas, casacos escorridos, mão em riste, moeda que falta, sede que sobra, vapor de engasgo, confunde-se com o fumo da água sem cigarro, até parace, mas só parece, o cheio que lhes falta já não vem do ar, está pra'lém dos braços que rasgam o céu, angústia de não ver outros no caminho invés.
A manhã, esta é só diferente porque é mirada de lá para cá, sem culpa, sem trejeitos, mágoa ou inveja, é olhada pelos olhos das pontas dos dedos, de quem só ousa respirar o vapor dos cigarros, queimados numa qualquer manhã, sem já entender que os pássaros que voam para lá dos braços estendidos, vagueiam em lugares distantes e fantasiados, só fantasiados...
Da luz, só a restia, parece que a trouxeram, lá para o final, vinha bonita, raiada, quente e brilhante, fica sempre mais bonita quando é desejada, as mãos sempre estendidas, o fumo agora é mais denso, mais intenso, já não é de água; tirou o gorro esperguiçou-se e foi tomar um café que hoje pago eu...
