O meu silencio não é de dar
O meu silencio é com o bater do coração
E é da dor do coração
É feito das asas e pumas e das palavras inventadas
É dos gestos às vezes comedidos
É da ânsia do encontro e da lágrima do adeus
É d'um mundo inteiro feito riso
É um lago de vida revolta
Uma caraça descarada
Um beijo de soslaio
Um abraço apertado
Uns não sei quantos e outros não sei quê
És tu que me habitas e eu a querer
É o sonho pesadelo que abafo com almofada
São lábios que se tocam sem se conhecerem
São mãos feitos laços de difícil atar
E marés de luas sempre novas
Os meus silêncios são o cobertor do meu frio
São o próprio frio difícil de aquecer ...
Não te dou o silêncio ...
Dou te todo inteiro...o meu silencio...
Miguel Vieira
quinta-feira, setembro 22, 2011
segunda-feira, setembro 19, 2011
Dia
Passou entre os dedos
O vento resvalou
O relógio imóvel feito sol sem orbita
e as mãos nele sem parar
Fortuitos os pássaros sem asas
Calavam se dos murmúrios
Dos murmúrios calados e eles neles sem piu
E era sem palavras que falavam
Dos dedos que não tinham
Da solidão tão cheia deles e eles calados
Estavam eternos que o sol sem orbita se esqueceu de brilhar
E o silêncio que já era negro e sem asas
Apagou se calou se e ...
nasceu o dia
Miguel Vieira
O vento resvalou
O relógio imóvel feito sol sem orbita
e as mãos nele sem parar
Fortuitos os pássaros sem asas
Calavam se dos murmúrios
Dos murmúrios calados e eles neles sem piu
E era sem palavras que falavam
Dos dedos que não tinham
Da solidão tão cheia deles e eles calados
Estavam eternos que o sol sem orbita se esqueceu de brilhar
E o silêncio que já era negro e sem asas
Apagou se calou se e ...
nasceu o dia
Miguel Vieira
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