sexta-feira, dezembro 17, 2010

Se soubesses a que sabem as minhas lágrimas?
Tem o sabor amargo da tua ausência....

Valha me a saudade
que é uma espécie de presença

E o grito
Um ensaio de decência

Se soubesses o que guardam os meus braços?
Uma zanga contida

Valham me os passos
para a alegria entendida

E os gestos
Uma melancolia... apenas

Um dia escrevo te...

Um dia escrevo te...

Escrevo te com lágrimas que saltam dos dedos
Com palavras que pari
E as letras que roubei por ai
Um dia escrevo te

A desfolhar sons de encantar
A entornar silabas de amar
A entreter o olhar
E o teu corpo desnudar

E eu a querer...
A cruzarem se os olhares de um dia
E as horas a sumirem se segundos abaixo a cada instane
Cada instante como a morte do tempo que passa

Cada instante

A querer te nua
A querer te crua
A querer te....

Miguel Vieira

domingo, dezembro 12, 2010

Esgotei as palavras à custa de tanto as juntar
Umas nas outras se fundiram
E perderam o sentido

Juntei as que sabia saber
Com as outras que inventei
Dos teus ouvidos a ausencia
Da tua boca o silencio
De ti um profundo pesar

Era um pesar sem peso
Uma leve penumbra uma nevoa
Sim foste uma nevoa para mim

Construi te na luz do meu desejo
E ficas te na minha falha
Numa ferida por sarar

Sangrei te como quem limpa as entranhas

E deixei as rimas des(sentidas)
As ruas fecharam se e os rios secaram
Já não há lagrimas das que sem ti senti
Do que sobra..
Ficou o rasto do languido caminho que foi a tua morte
Em mim....

Miguel Vieira

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Hoje não te quero mais...

Hoje nao te quero mais

Não quero sentir o teu silencio
Os teus braços escoridos corpo abaixo
Os dedos apontados ao chao
E os pes pregados nele

Fartei me de nao te sentir
Das dúvidas e dos murmurios por decifrar
Das teimas que aquilo eram palavras
Que eu tinha de inventar

E eu...

Com lagos de esperança no olhar
Desertos na garganta de esperar

Hoje nao te quero mais

Tinha-te...

Tinha te desnudado
As maos nas minhas e eu em ti
Havia um sopro no teu corpo
De dentro dele derramava se o céu

O nosso ar calava nos
E eu a querer te mulher
E tu vertida em mim

Num antes... que era desejo
Escrevi poemas na tua pele
Com os dedos de tocar
Com os labios de enfeitiçar

Murmurios do amor
Silencios de prazer
Arranquei te pedaços da alma
Em gemidos de parir
E tu quieta imovel
Num estridor final

Flui para ti na minha essencia
E ai permaneci...

sábado, setembro 18, 2010

Desejo...

Se eu fosse ver te quando quisesse
Numa hora que também fosse tua
Quem sabe até roubar te na rua
E levar te para onde mulher te fizesse

E saber ao que sabia
A tua boca macia
A recordar em em cada dia
O sabor que merecia

E é nesta lenta agonia

De ver te onde nao queria
Que os meus olhos choram
E o meu corpo gemia

domingo, setembro 12, 2010

Faz anos..

Faz anos...
Andávamos de mãos dadas sem destino
Sem destino...só sem destino

Ficávamos horas de mão dada
E a rua a passar por nós
Como se todas as ruas fossem nossas só por as percorrermos

Eram os dias maiores que as horas
Maiores que o mundo
E nós sem destino neles

A pressa esperava noutra esquina
Eram tempos de vagares
De olhares e sabores que decorávamos um do outro

E havia a voz que ficou
A voz que gravada sussurrara
As palavras que sobraram

Tingiram as ruas, que passavam, de cores
Cores que agora pintas
Que gritam... de dentro de ti

Das palavras ficaram os desenhos delas
Das inventar e desenhar no papel
E a contar histórias

Histórias das mãos dadas
Das ruas a passarem
E nós a não querermos

Das histórias que contas com as tintas cores que gritam de ti
Da luz que te sobra, da sombra que te cobre

E eu..
A desenhar te em palavras revoltas no papel
Onde sempre te encontrei

As tuas cores
As minhas letras
O nosso mundo

E há uma imensa gratidão por existires

Faz anos...
Andávamos de mãos dadas sem destino
Sem destino...só sem destino

Fazes anos...
E parece que continuamos de mãos dadas
Sem destino
Como se esse fosse o destino sem destino
Uma espécie de eternidade

terça-feira, junho 08, 2010

Caminho

E percorro os caminhos do pensamento
Como quem levanta a ideia
E há no sopro dos dias o vento da esperança adiada
Da língua tardia as palavras escondidas
Das mãos...das mãos abertas um travo que guardo
Um recanto encontrado, um rio...
Talvez um rio, onde as palavras se deleitam
Onde o deslizar seja a própria existência sem a primeira nem última
O encontro só no fim num mar, num imenso mar feito poesia,
Lá na anarquia feita ordem
A ordem do pensamento
Eis o ciclo vital...

quinta-feira, março 25, 2010

Do Nada...

Lembro-me e tenho-te como se tem um pensamento
É das entranhas que me gritas que me habitas
E há um sem ti que é tormento e solidão
Escorres por mim em lágrimas da tua ausência
Um corpo que tarda nos dias
E nas noites acrescentas-te em sonhos que não quero acordar
Da boca tua doce melancolia me abasta e sorvo dela
Repasto-me de ti, de ti tantas vezes a querer-te
De tantas vezes a amar-te

Desejo...

E um desejo solto daqui para ali
Soletrado de soslaio, baixinho
Para que os fantasmas que te aprisionaram
No sono profundo permaneçam

E tu desconfiada
Da sensação estranha de te sentires
Dessa novidade velha de outros tempos
Proibidos

E a resgatar-te do pranto… e a resvalares-me ás vezes
E às vezes a sorrir outras a não quereres

E eu dum longe perto a mirar-te
E um braço que me sai
Procuro encaixar-te … em ti

Tu a não quereres querendo
Conferindo que cada pedaço te pertenceu
E tu a desconheceres-te

E eu a espelhar-te…
Deste viver…

Afasta-se o fogo do corpo
Sente-se à distância o afago
Desloca-se o corpo no espaço
E arrecada-se o cansaço

Apressa-se o pensamento
Em ânsia de encontrar
Que em cada movimento
Busca outro lugar

Recorda-se o aroma do ar
Lamúrias em gotas de lágrimas
Gemidos de difícil curar
Palavras de difícil amar

Tormento feito ser
Alegria agarrada no rosto
Essa angustia de viver
Na qual não se vê gosto

Morrer ou viver
As dúvidas do existir
Já não consegue ver
Em qual insistir