segunda-feira, setembro 19, 2011

Dia

Passou entre os dedos
O vento resvalou
O relógio imóvel feito sol sem orbita
e as mãos nele sem parar
Fortuitos os pássaros sem asas
Calavam se dos murmúrios
Dos murmúrios calados e eles neles sem piu
E era sem palavras que falavam
Dos dedos que não tinham
Da solidão tão cheia deles e eles calados
Estavam eternos que o sol sem orbita se esqueceu de brilhar
E o silêncio que já era negro e sem asas
Apagou se calou se e ...
nasceu o dia

Miguel Vieira

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