segunda-feira, novembro 14, 2011
Estar para ali...
A estar para aqui...
E quase nada se passa
A ficar ficando de tanto ficar
As dúvidas que já não são
E as que são a deixarem se ficar
A emocionar me de te ouvir
Nessa serenidade quase nua...quase crua
E as gotas na vidraça quase a parti la
E a sirene que ai vem...mais uns
O avião a destroçar céus nuvens abaixo
A ficar de rodas ao léu
O ar a gritar desventrado
E a tua voz dentro de mim em palavras de sonho
A compor me as células
A compor as próprias frases
A deixar o curso das veias
A sair do corpo fora
A entreter o tempo com coisa nenhuma
A água nos beirados, a chuva nas vidraças
Vem para dentro que está a chover
E eu a querer fazer me chuva
O lume aceso no quadro da sala
O único lume aceso, a mesa posta na cozinha
Uma espera infinita e...
Os sapatos que não chegavam à casa de banho de madrugada
Chegavam só quando queriam
Chegavam quando chegavam mesmo quando já não queria
E a estar para ali
De porta entreaberta com a esquina do roupeiro
A não se passar quase nada...quase nada.
Miguel Vieira
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