Corro para o computador na ânsia de o encontrar, ou melhor, de o procurar outra vez, perdi-o ontem quando já estava praticamente pronto, tinha-o escrito de enfiada, como se fosse de pinhões, tinha gostado dele, deve-se ter perdido no meio deste novo éter, um ''clic'' errado e já está, não está, está não sei donde, e isto não é como a bolinha que se enrola do nariz ''... deixa lá que eu faço outra...'', o que mais me irrita é que tinha gostado dele e logo eu que não sou de gostar de quase nada, e agora a frase fatalista...enfim.
Tinha-o dedicado à dor, aliás chama-se (onde quer que esteja) Da'dor.
Dela falo de cor, como um ar passado de validade, que se enxota para longe e se estraga com desodorizante barato, que outra coisa não merece tão enfame é; vê-se de longe que longe da vista..., mas fala-se com doutas palavras que os ouvidos agradecem, ungidos por tão distintas pavénias, bacalhaus escorridos no peito, lá onde ele bate de dentro pancadas de Mouliere, que a peça está a começar,...lindo aplusos mesmo antes de começar que não sou merecedor de tal presença, escorreito ei-lo, olha de cima para a coisa e a raia lá está, olhos esbogalhados...sussurram ''...trará ele com ele?...'' , silêncio, as folhas esgrimem-se umas ás outras para ver quem é a primeira, que o tal esqueceu-se de as ensinar, os oculos esbarram para o fim do nariz como quem vem de cima, o suor denuncia o erro, mas está lá tudo... bem o que sabe, porque tal como o burro que leva o fardo, sente que pesa, mas não sabe o que é, assim está e de cima vê-se melhor, mas de baixo sente-se o que é, fica mais ao nivel da fechadura que permite ver para o lado de lá, pelo halo da porta, a mesma que subtrai à realidade o outro da indiferença, os ferrolhos ás vezes ficam calcinados do não uso e não posso, do doi-lhe as costas para se vergar, cá de cima vê-se muito melhor. Butou, a plateia foi-se subtraindo de altura, os ombros formaram setas de desânimo com a cabeça, os olhos empalideceram, os braços sem fim e o corpo do fim, de tudo o nada, aquele tal não era ele, era outro por ele, era ele sem ele, falava de cor, de longe, sem tom apenas sem...
''...Doravante (onde é que eu já li isto), só lá vou quando for mesmo ele, doravante vou tê-lo sempre comigo, lá onde bate, mas ora sem espetáculo, só para o ouvir bater, só para o sentir e assim estar mais perto de cá e lá, não de cima, mas de lado...'' limpou o traidor da testa, que lhe toldava a vista, desceu para um final menos triste, desceu para si, que lhe sirva de emenda, redopiou os olhos no chão, e guardou as palavras no bolso, essas sem sentido, as outras vai dizê-las de cor sem papel porque estão ensinadas pelo bater do Mouliere...

1 comentário:
Estou zangada!laurebaccal@hotmail.com
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