Monmarte
Sobe se uma rua íngreme adivinha se uma cúpula ..já a havia visto no livro de ver cidades sem lá estar, parece alva, distante na fotografia do livro de visitar, havia uma névoa de quem a tirou, e tirou a do sitio onde parecia não haver mais luz...e ficou a névoa.
O sol vai se subtraindo ao céu, deslizando pelo horizonte, pintando a cúpula de um ocre antigo sem idade, as escadas repletas de gente que fala entre dentes, e há uma fila que espera com com gente que fala entre dentes.
Os santos no altar olham...de soslaio estes rodos em esperas que parecem inúteis...os das escadas de costas voltadas, ignoram a espera....e esperam só que o sol se subtraia aos telhados distantes.
O dia havia sido igual ao da fotografia do livro de visitar..., sentia se o cheiro da agua no ar, as nuvens compactas, quase infinitas, sucumbiram...de repente como se de uma graça, irrompeu...vinha do alto e trespassou até aqueles que esperavam.
Não havia estrangeiros entre eles, eram de uma única nação, de um único pais, pousavam os pés na cidade e olhavam a cúpula queriam as entranhas do céu ali, guardavam na memória de uma fotografia aquilo que os olhos não conseguem, e havia os dos pincéis em tintas inventadas que desenhavam as palavras da memoria, e os outros que sem tinta levavam os retratos para um papel distante e numa pressa súbita as vomitavam para a eternidade...
Miguel Vieira

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