Havia um caminho
Eram pedras, umas soltas
Outras por soltar
Vagueava por essa estrada
Pau na mão
e na outra desejo
Levantava do chão
as que se soltavam e debaixo delas a escuridão
Eram vidas feitas de trabalho
Ficava entretido no caminho
A soltar umas, e outras a prenderem-se
Derramava-se o mundo debaixo dos pés
Em cidades feitas galerias
Sonhara um dia ser formiga
Era o negro que o atraíra
E havia as pedras que ficavam
Com as histórias para contar
Levava as que via
E as outras inventava
Para ti, fazia um caminho
E derramava nos teus olhos
As paisagens que vivia
Havia a cor que entendia
das palavras que dizia
E no teu olhar, o silêncio da sabedoria
Era lá que permanecia
Era lá que pertencia...
Miguel Vieira
quarta-feira, março 23, 2011
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